Resumo
Este artigo discute a infância em contextos de resistência cultural, com ênfase nas práticas culturais de comunidades indígenas brasileiras e nos desafios impostos pela globalização. Partindo do entendimento de que a infância não é uma etapa passiva ou isolada, mas um período fundamental para a construção de identidades e a preservação de tradições, o estudo problematiza a relação entre práticas sociais locais e as dinâmicas globais que tendem a homogeneizar culturas. A pesquisa foi conduzida com base em uma metodologia qualitativa e bibliográfica, utilizando referenciais teóricos que exploram as interfaces entre infância, cultura e globalização. O estudo examina como as crianças são participantes ativas no processo de transmissão e renovação cultural em suas comunidades, resistindo às forças hegemônicas. Foram analisados os desafios enfrentados por comunidades indígenas, como a padronização cultural promovida pela lógica de mercado global e a transformação das crianças em consumidores passivos, o que ameaça a preservação de práticas tradicionais e saberes ancestrais.
Os resultados apontam que as crianças, por meio de práticas de oralidade, participação em rituais e interação com seus grupos sociais, exercem um protagonismo significativo na manutenção e reinvenção das culturas locais. A infância emerge, assim, como um espaço simbólico de resistência e criatividade frente às pressões externas. Além disso, destaca-se a importância de valorizar as vozes infantis nos processos de formulação de políticas públicas e na construção de narrativas que considerem suas perspectivas. Ao final, o artigo reflete sobre as limitações da pesquisa e sugere a necessidade de estudos futuros que aprofundem a análise em diferentes contextos culturais, incluindo a relação entre infância e tecnologia, mudanças climáticas e outras dimensões contemporâneas. Tais reflexões são cruciais para a construção de um entendimento mais amplo sobre o papel da infância em tempos de globalização, contribuindo para a formulação de estratégias inclusivas que respeitem a diversidade e o protagonismo infantil.
Palavras-chave: Infância; Globalização; Resistência Cultural.